5 de fev. de 2014
Saga do IVAN
Este texto é de autoria do leitor Ivan Noronha*, de Varginha, Minas Gerais, e faz parte de uma carta enviada a um amigo.
""Escusas pelo silêncio virtual, mas ando por demais assoberbado com as mazelas da vida real” - o que não é desculpa. Mas que seja. Se eu resolver aceitar, tudo bem. Se não, que hei de fazer.
Espero que seus pares de botequim, aqueles atingidos por um meteorito de gesso, estejam bem. É realmente difícil tecer qualquer teoria auto-sustentada para as fatalidades insanas a que estamos sujeitos.
Pode rir, mas aconteceu comigo assim:
Estava saindo de viagem para Sampa (São Paulo/Capital) quando, ao verificar os documentos do carro, percebi que o IPVA [o famigerado Imposto de Proprietário de Veículo Automotor] não estava pago. Já atrasado, conduzi a viatura até o despachante para tomar as providências cabíveis. Como o IPVA era referente ao ano anterior, fui à captura do antigo proprietário para informá-lo da pendência, enquanto os ponteiros do marcador de horas já completavam algumas voltas. Após uma pequena peleja verbal, que deu início a uma suave(?) irritação, consegui receber o cheque para efetuar o pagamento e prosseguir o já complicado translado MG-SP.
É lógico que o cheque do cretino era de um banco e o pagamento deveria ser efetuado em outro.
Tudo bem, o que são duas filas de banco? Duas filinhas de banco tudo bem, mas dois abalroamentos bancários transformaram a suave(?) irritação num estado pré-surto. Aguentei firme, segurei a onda. De volta ao idiota do despachante, com a porcaria do IPVA pago, recebo a notícia que deveria, ainda, pagar uma taxa para emissão do novo documento. Atrasado duas horas para a reunião em Sampa, saí da espelunca rumo à viatura para, finalmente, dar início à odisseia que me aguardava.
Procurei as chaves em todos os bolsos possíveis, até que o auxiliar do despachante, um biltre com cara de manga rosa chupada irrompe às portas do estabelecimento com um odioso sorriso em sua boca de caçapa dizendo: "Tá procurando alguma coisa?". A chave estava na mão do filho da mãe... Peguei as chaves e abri o carro.
Sente o lance: Com a mão esquerda abri a porta, com a perna direita tentei fazer o movimento que repito, pelo menos, umas trinta vezes ao dia, que era, simplesmente, entrar no carro. Ao tocar o assoalho, o pé direito acionou a alavanca do extintor de incêndios, que, imediatamente, pôs-se a ejacular pó químico para todos os lados. Neste instante, a perna esquerda já se encontrava em curso normal de entrada e as nádegas já tocavam o tão maltratado assento do motorista. Com o susto, tentei sair imediatamente, sem olhar se vinha carro na estreita rua em que me encontrava [Minas é assim ruas estreitas...]. Claro que vinha um carro, que, por sorte - ou não - parou em tempo de assistir ao desfecho tragicômico da situação. Ao tentar sair, o pé esquerdo se enroscou no cinto de segurança e, niqui [enquanto] estabacava-me em plena via pública, houve tempo para que minhas costas se chocassem no pino de travamento da porta, o que quase não doeu. Levantei-me rapidamente, é claro, gritando tudo que é tipo de palavras não oficiais, enfiei um bicudo na porta do carro que, além de doer meu dedão, amassou a lataria e fez com que o vidro caísse para dentro da porta, tornando impossível a operação abre-fecha da janela.
Nisso, toda população comercial da ruela já estava esbugalhada nas portas e janelas dos estabelecimentos circunvizinhos.
Tá rindo, né, besta? Depois te conta a volta de Sampa (São Paulo) no outro dia.
Assinado Ivan Noronha.
* Sr. Ivan: para adicionar as aventuras de sua volta de SAMPA, por favor me contate.